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História da Serigrafia

A palavra Serigrafia vem de sericum que em latim significa seda, e graphia, que em grego significa gravar, desenhar, escrever.

Ao que parece, a serigrafia descende da técnica de impressão por molde vazado, um método que provavelmente surgiu da observação das perfurações que os insetos fazem sobre as folhas de vegetais. Alguns estudos sobre os antigos povos das ilhas Fidji mostram que seus habitantes perfuravam folhas de bananeira e pelas aberturas aplicavam tintas vegetais decorando seus utensílios.

Os egípcios já utilizavam a técnica de molde vazado na decoração de interiores centenas de anos antes de Cristo.

Na verdade, as primeiras telas de que se tem notícia foram produzidas no Japão há muitos séculos, e eram feitas com fios de cabelos humanos trançados e as máscaras que vedavam a passagem da tinta eram feitas com folhas de árvores e papéis.

O historiador romano Quintiliano (120 d.c.) descreve meninos romanos sendo alfabetizados a partir dos modelos de letras feitas em pequenas tábuas de madeira e calcadas com pontos e pó de carvão. Teodorico, o Grande (526 d.c.), Justiniano Primeiro (565 d.c) e o Imperador Carlos Magno (771 d.c.) recorriam a técnica conhecida por “estrisido”, na assinatura de seus decretos, copiando com um estilete de marfim o molde de suas respectivas assinaturas moldadas em placas de ouro.

No século XVI já era reconhecido o profissional recortador que eram contratados por reis e guerreiros para estampar seus feitos e os símbolos da Igreja nos estandartes dos que partiam em cruzadas.

No final do século XIX surge na França o POCHOIR (pronuncia-se POCHOAR), que hoje é conhecido como molde vazado e foi aprimorado e patenteado na Inglaterra por Samuel Simon em 1907, já utilizando uma trama de tecido de seda.

Muito difundida pelos Norte Americanos durante a Segunda Guerra Mundial, a serigrafia torna-se conhecida como SILK-SCREEN ou “tela de seda”.

A serigrafia comercial como conhecemos hoje, ou Silk-Screen, é utilizada na impressão de camisetas, adesivos, brindes e papéis, e possibilita uma rápida produção e de custo relativamente baixo.

Atualmente a serigrafia é feita com uma trama de nylon ou poliéster presa a uma moldura de madeira ou alumínio e nesta trama fica gravada a imagem que será impressa. O processo de gravação da matriz pode ser feito de inúmeras maneiras, dentre elas podemos destacar:

·  Matriz Fotográfica: é a mais utilizada. Passa-se uma cola com sensibilizante no nylon e a camada é seca com ar quente. O desenho deverá ser feito em uma transparência (fotolito ou nanquim sobre acetato). Este desenho e colocado sobre o vidro de uma mesa com luz por baixo. Sobre o fotolito, fica a tela. Após um determinado tempo de exposição, a tela é lavada e as partes pretas correspondentes no fotolito se abrem, permitindo assim a posterior impressão do desenho, idêntico ao fotolito. Neste processo podem ser utilizadas fotografias, como nos trabalhos realizados por Andy Warhol, onde o artista combina serigrafia e pintura a pincel.

· Matriz com Filme de Corte: o filme de corte é uma película de laca nitrocelulose com uma base de acetato. O desenho é cortado no filme com estilete EM NEGATIVO. Cola-se o filme na tela com um thinner especial. É um processo bem próximo ao pochoir, com a vantagem de eliminar as pontes que sustentam a parte interna das letras, além da maior durabilidade da matriz.

·  Matriz de Papel: utiliza-se papel recortado para criar o desenho. O papel cortado é colado à tela com a própria tinta a partir da primeira impressão. Este processo não permite um número muito grande de impressões devido à pouca resistência do papel ao atrito do rodo e da tinta, mas é uma técnica muito usada por artistas que trabalham a serigrafia como uma nova linguagem plástica. Este processo foi muito utilizado pelo mestre da serigrafia brasileira, Dionísio Del Santo.

·  Goma Laca e Crayon: utiliza-se um ou outro diretamente sobre o nylon, vedando as áreas onde não ser deseja imprimir.

A impressão sobre papel é feita geralmente com tinta vinílica ou sintética utilizando-se um rodo de borracha que lembra um pouco o rodo utilizado para puxar água em casa, mas é especial para o uso em serigrafia. Existem tintas específicas para cada tipo de material (substrato).

A serigrafia não é totalmente reconhecida como um processo de gravura pelo fato de a imagem não precisar ser pensada “espelhada”, além da matriz não imprimir por contato, pois a tinta atravessa a matriz de impressão.

É necessário trabalhar em local ventilado, mas não requer muitos gastos com equipamentos como prensas. Uma pequena mesa e uma garra feita com dobradiças são suficientes para o serígrafo iniciante.